quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O Monge e o Escorpião



Conta uma lenda que certo Monge caminhando com seus discípulos, ao passar por uma pequena ponte construída sobre um riacho, deparou-se com um enorme escorpião que,  caído nas águas, se via em grande perigo de morte, vez que se debatia contra as correntes numa luta inglória, na busca da margem segura. Na verdade, estava exausto e jamais poderia se salvar, a menos que lhe sobreviesse alguma ajuda. O Monge, diante daquela situação, não vacilou, eis que, de sobre a ponte, lançou-se nas águas em direção ao escorpião  e, depois de algum tempo, pode ter em uma de suas mãos, seguro, o peçonhento animal. Mas, quase chegando à margem do riacho, objetivando depositar o animal em terra segura, eis que recebeu contundente picada do escorpião em uma das mãos, pelo que foi obrigado a deixá-lo cair novamente nas águas. A operação de resgate se repetiu até, finalmente, conseguir salvar o injusto escorpião. Ao retornar para junto de seus discípulos, um deles lhe direcionou a seguinte pergunta:  
“mestre, por que é que o senhor conhecendo o perigo de um escorpião, segurando-o pela mão, sendo picado por ele, mesmo assim agiu insistentemente até salvá-lo? Não seria melhor deixá-lo morrer?”
Ao que respondeu o Monge: “ele (escorpião), agiu segundo a sua natureza; eu, porém, agi segundo a minha natureza”
Essa lenda não tem nenhum valor teológico ou doutrinário e jamais poderá suplantar qualquer fato ou narrativa bíblica, porque estes se revestem de credibilidade histórica comprovada e fazem parte da Palavra de Deus Inspirada e Revelada ao homem. Aquela (lenda), porém, pode servir de ilustração de uma verdade experimentada por nós, nada mais. Diante, portanto, da ilustração, faço a seguinte pergunta: COMO DEUS AGIU EM RELAÇÃO A NÓS? Segundo a nossa natureza ou segundo à Sua Própria Natureza?  EM PRIMEIRO LUGAR: Creio que Deus agiu segundo a nossa natureza.  A Bíblia diz que não temos mérito algum na nossa salvação. Somos indignos, pecadores e, por natureza, éramos filhos da ira como os demais (Ef. 2:3). Que estávamos mortos nos nossos delitos e pecados (Ef.2:1) e, por isso, não tínhamos a menor condição de soerguermos. Deus viu em nós nenhuma possibilidade de mudança de direção pela total deformidade do caráter nosso, em razão do pecado. Isso se explica, ainda hoje, quando notadamente constatamos que existe um luta dentro de nós. A luta da velha natureza travada contra a nova natureza. Não atingimos a plenitude da perfeição de Cristo, por isso, de vez em quando somos assaltados por essa realidade. Nossas atitudes revelam muito mais perigo do que a atitude daquele escorpião. Somos seres pensantes, podemos maquinar o mal, agimos conforme o nosso temperamento e emoções, razão pela qual, devemos nos refrear constantemente para não pecarmos contra Deus e o próximo. Não fossem as misericórdias do nosso Deus, certamente já teríamos sucumbido. É a conclusão do profeta cf. Lamentações 3:22 – “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim”. Deus agiu em relação a nós segundo a nossa natureza porque considerou-nos impotentes para sairmos do lamaçal a que nos reduziu o pecado.
EM SEGUNDO LUGAR: Deus agiu em relação a nós segundo a Sua Própria natureza. Despiu-se de Toda Sua Glória, encarnou-se, veio até nós com grande e terno amor para remover, através de Seu Único Filho, Jesus, a barreira estabelecida entre Ele (Deus) e nós. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”(João 3:16). Foi uma imensurável dádiva! Nós alcançados pela misericórdia do Grande Deus, sendo salvos para sempre e para uma vida de gozo na presença do Senhor. Deus se doou em nosso favor e, numa situação ou outra, ou seja, em razão da nossa natureza ou em razão da Sua natureza, agiu com muito AMOR. Amor é o que devemos uns aos outros, nada mais. É o maior mandamento: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Pensemos nisso! E que Deus te abençoe. Pb. Hely