quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Reflexão sobre Romanos 1: 1 a 7



VOCÊ É UM SERVO, AMADO POR DEUS E SANTO (Leia Rm 1.1-7)
Logo após a desobediência do primeiro casal humano, toda a humanidade se viu separada espiritualmente de Deus, expulsa do Paraíso, em uma triste expectativa de morte física e de morte eterna. Diante dessa situação desoladora, Deus revelou seu plano para salvar os seres humanos, destruindo o mal, por meio de um homem (Gn 3.15). Esta foi, sem dúvida, a primeira “boa notícia” que saiu do coração de Deus, depois da queda: o “evangelho” em forma de semente, que deveria se desenvolver até se consumar na plenitude dos tempos (Gl 4.4).
A promessa de salvação, portanto, veio antes de Deus chamar a Abraão (Gn 12) e de formar um povo exclusivamente seu. Assim, a salvação é para todos os povos, embora ela própria venha através dos filhos de Abraão, pois é a partir dele que todas as famílias da terra deveriam ser abençoadas (Gn 12.3). Com efeito, não foi outra coisa que os profetas continuaram a dizer nas Sagradas Escrituras, prometendo a vinda de um descendente de Davi (Rm 1.2 e 3), que se assentaria no seu trono para sempre e que seria, ao mesmo tempo, filho do próprio Deus (2Sm 7.12-17). É bom notar que parte desta profecia se aplica imediatamente a Salomão e parte dela, a longo prazo, ao Senhor Jesus Cristo.
O apóstolo Paulo, sendo judeu, descendente de Abraão, descobriu essa verdade logo após o seu encontro com Jesus (At 9.1-9), que o comissionou para levar o seu Nome perante os gentios (At 9.15), isto é, aos povos que não descendem de Abraão. Por isso, Paulo afirma ter sido “chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho, (...) entre todos os gentios” (Rm 1.1 e 5).
Paulo, em sua carta aos Romanos (1.3 e 4), salienta a dignidade daquele que o chamou, Jesus Cristo, pois é ele não apenas o filho do grande rei Davi, segundo a carne, mas é nomeado “o Filho de Deus”, cujo poder resta patente por sua santidade absoluta e por sua ressurreição dentre os mortos, quando se apresenta, agora, não mais como o Servo Sofredor (Is 52.13 – 53.12), mas como Senhor, cercado de luz gloriosa (At 9.3 e 4) e investido em sua autoridade plena.
Então, Paulo afirma que é servo de Jesus (Rm 1.1). Servo, não no sentido de prestar serviços involuntários, mas no sentido de servir, humildemente, com toda submissão e com todas as suas forças, àquele que, por um pouco de tempo, deixou sua glória para nos salvar (Fp 2.7).
Jesus Cristo, o Senhor, sendo homem (filho de Davi) e Deus (filho de Deus), é, portanto, o mediador entre o Pai Celeste e os homens. É por meio dele que nós, a humanidade caída e condenada, somos favorecidos pelo Pai, como o foi o próprio Paulo, mediante a obediência que resulta da fé (Rm 1.5).
Assim, nós, da mesma forma que Paulo, fomos chamados para ser servos, pertencentes a Jesus Cristo (Rm 1.6), a quem devemos servir com alegria. É aqui que reside a maior dificuldade do homem natural, pois sendo soberbo, não admite seja necessário abrir mão do controle de sua vida descontrolada, para submetê-la ao Senhor que, querendo ou não, controla todas as coisas. Essa é, também, a grande dificuldade de muitos crentes que vivem a vida cristã de maneira deficiente, pois ainda não aprenderam a confiar e a se submeter totalmente ao seu Senhor. É verdade que servir a qualquer outro senhor, que não nos ama, compromete a nossa liberdade e dignidade, mas servir ao Senhor que nos chama de seus “amados” (Rm 1.7) implica conquistar a verdadeira liberdade e dignidade (Jo 8.36).
Além disso, nós, como os cristãos que estavam em Roma, também fomos chamados para refletir, aqui no mundo, aquilo que o nosso Senhor é. Neste sentido, fomos chamados para ser santos (Rm 1.7), pois diz a Escritura: “Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.16; Lv 20.26).
Você crê em Jesus? Então, você é um servo, amado por Deus e santo!
O Rev. Mauri Tavares é pastor auxiliar na Segunda Igreja Presbiteriana de Goiânia, Goiás, Brasil