sábado, 7 de setembro de 2013

A Doutrina da Salvação

A Doutrina da Salvação
O Calvinismo e o Arminianismo
[...] deve-se observar que os “cinco pontos do calvinismo”, assim chamados, são simplesmente a resposta calvinista aos cinco pontos do manifesto (The Remonstrance - A Representação) apresentado por certos “belgas semi-pelagianos”, nos começos do século XVII. A teologia ali contida (conhecida na história como arminianismo [em referência a Jacobus Arminius]) originou-se de dois princípios filosóficos: primeiro, que a soberania divina é incompatível com a liberdade humana, e, portanto, também com a responsabilidade humana; em segundo lugar, que habilidade é algo que limita a obrigação. Com base nesses princípios, os arminianos extraíram duas deduções; primeira, visto que a Bíblia considera a fé como um ato humano livre e responsável, ela não pode ser causada por Deus, mas é exercida independentemente dEle; segunda, visto que a Bíblia considera a fé como obrigatória da parte de todos quantos ouvem o evangelho, a capacidade de crer deve ser universal. Portanto, eles afirmam, as Escrituras devem ser interpretadas como se ensinassem as seguintes posições: (1) O homem nunca é de tal modo corrompido pelo pecado que não possa crer salvaticiamente no evangelho, uma vez que este lhe seja apresentado; e (2) o homem nunca é de tal modo controlado por Deus que não possa rejeitá-Lo. (3) A eleição divina daqueles que serão salvos alicerça-se sobre o fato da previsão divina de que eles haverão de crer, por sua própria deliberação. (4) A morte de Cristo não garantiu a salvação para ninguém, pois não garantiu o dom da fé para ninguém (e nem mesmo existe tal dom); o que ela fez foi criar a possibilidade de salvação para todo aquele que crê. (5) Depende inteiramente dos crentes manterem-se em um estado de graça, conservando a sua fé; aqueles que falham nesse ponto, desviam-se e se perdem. Dessa maneira, o arminianismo faz a salvação do indivíduo depender, em última análise, do próprio homem, pois a fé salvadora é encarada, do princípio ao fim, como obra do homem, pertencente ao homem e nunca a Deus.
O Sínodo de Dort foi convocado em 1618 a fim de manifestar-se sobre essa teologia, e os “cinco pontos do calvinismo” representam suas contra-afirmações. Esses cinco pontos originam-se de um princípio inteiramente diferente—o principio bíblico de que “a salvação vem do Senhor” (Jonas 2:9). Esses cinco pontos podem ser sumariados como segue: (1) O homem decaído, em seu estado natural, não tem capacidade alguma para crer no evangelho, tal como lhe falta toda a capacidade para dar crédito à lei, a despeito de toda indução externa que sobre ele possa ser exercida. (2) A eleição de Deus é uma escolha gratuita, soberana e incondicional de pecadores, como pecadores, para que venham a ser redimidos por Cristo, para que venham a receber fé e para que sejam conduzidos à glória. (3) A obra remidora de Crista teve como sua finalidade e alvo a salvação dos eleitos. (4) A obra do Espírito Santo, ao conduzir os homens à fé, nunca deixa de atingir o seu objetivo. (5) Os crentes são guardados na fé e na graça pelo poder inconquistável de Deus, até que eles cheguem à glória. Esses cinco pontos têm sido convenientemente indicados pela palavra mnemônica TULIP*: Total depravação, Uma eleição incondicional, Limitada expiação, Irresistível graça e Perseverança dos santos.
J. I. Packer
Extraído do livreto, O “Antigo Evangelho”, pp.5-7.
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* TULIP significa Tulipa em inglês. Os cinco pontos que formam o acróstico em inglês é Total Depravity, Unconditional election, Limited Atonement, Irresistible Grace e Perserverance of the Saints.